Como avaliar a segurança de um fornecedor de IA: o que CASA, SOC 2 e ISO 27001 provam
Selo no rodapé não é evidência. O que cada avaliação realmente verifica, o que fica de fora, quais documentos pedir e os sinais de alerta numa resposta de fornecedor.
O questionário de segurança volta preenchido com “sim” em todas as linhas. Criptografia: sim. Controle de acesso: sim. Testes de segurança: sim. A planilha está impecável, mas não prova nada: quem respondeu foi o próprio fornecedor.
No artigo sobre IA na empresa sem vazar dado, listamos as dez perguntas que valem fazer antes de contratar. Este é o passo seguinte: como conferir as respostas. Isso passa por entender o que cada avaliação de segurança comprova, e principalmente o que ela não comprova.
Três níveis de garantia
Toda afirmação de segurança cai num destes degraus:
| Nível | Quem afirma | Quanto vale sozinho |
|---|---|---|
| Autodeclaração | O próprio fornecedor, no questionário ou no site | Pouco. É o ponto de partida, não a prova |
| Evidência revisada por terceiro | Um avaliador independente confere as provas enviadas pelo fornecedor | Bastante, dentro do escopo revisado |
| Teste ou auditoria direta | O avaliador testa o sistema ou audita a operação por conta própria | O mais forte, dentro do escopo e do período avaliados |
A pergunta útil não é “vocês têm certificação?”. É “quem verificou, como verificou e o que ficou dentro do escopo?”.
O que o CASA verifica
O CASA (Cloud Application Security Assessment) é o padrão de segurança de aplicações mantido pela App Defense Alliance. Ele é baseado inteiramente no OWASP ASVS, a referência mais usada do mercado para verificar a segurança de aplicações web. É também a avaliação que o Google exige de aplicativos que pedem acesso a dados restritos de contas Google, como o Gmail.
A especificação atual tem 48 requisitos em 6 domínios:
| Domínio | Requisitos | Exemplos do que é verificado |
|---|---|---|
| Autenticação | 8 | Resistência a força bruta, senhas guardadas de forma segura, senhas temporárias que expiram rápido |
| Gestão de sessão | 9 | Logout que invalida os tokens, troca de senha que derruba outras sessões, nenhum token na URL |
| Controle de acesso | 9 | Menor privilégio, um usuário não alcança o recurso de outro, MFA na área administrativa, OAuth seguro |
| Comunicações | 4 | TLS 1.2 ou superior, certificados confiáveis, nada de criptografia fraca |
| Validação de dados | 11 | Proteção contra injeção, XSS, SSRF e upload de arquivo malicioso |
| Configuração | 7 | Dependências sem vulnerabilidade conhecida, modo de depuração desligado, credenciais fora dos logs |
Há dois níveis de avaliação, e a diferença importa:
- AL1 (autoavaliação verificada). O fornecedor envia evidências para cada requisito: prints, trechos de código, relatórios de varredura, configurações. Um laboratório autorizado revisa essas evidências e só aprova quando elas demonstram o controle.
- AL2 (avaliação em laboratório). O laboratório testa os casos diretamente contra a aplicação.
Os dois cobrem os mesmos 48 requisitos. O que muda é quem executa o teste.
O que o CASA não prova
Um relatório CASA aprovado diz que a aplicação atende a um padrão técnico. Ele não diz:
- Como a empresa opera. Gestão de incidentes, controle de quem entra e sai do time, avaliação dos próprios fornecedores e continuidade do negócio ficam fora. Isso é território de SOC 2 e ISO 27001.
- Como os dados alimentam a IA. Se o conteúdo das conversas treina modelos, por quanto tempo o provedor do modelo guarda as mensagens, por onde os dados passam. Essas perguntas são específicas de IA e precisam ser feitas à parte.
- Se o fornecedor cumpre a LGPD. Base legal, encarregado de dados e contrato de operador são outra conversa.
- O que mudou depois. A avaliação vale para a versão avaliada. Daí em diante, o que garante a segurança é o processo do fornecedor.
SOC 2 e ISO 27001, lado a lado
| SOC 2 | ISO/IEC 27001 | |
|---|---|---|
| O que é | Relatório de auditor independente sobre os controles da empresa, seguindo critérios do AICPA | Certificação do sistema de gestão de segurança da informação |
| Foco | Segurança, sempre, e opcionalmente disponibilidade, confidencialidade, integridade de processamento e privacidade | Processo: riscos identificados, controles escolhidos, melhoria contínua |
| Variações | Tipo I avalia o desenho dos controles numa data. Tipo II avalia o funcionamento ao longo de um período | Ciclo de três anos, com auditorias de manutenção anuais |
| Como pedir | O relatório completo, normalmente sob acordo de confidencialidade | O certificado com o escopo e o organismo certificador |
| Pegadinha | Tipo I diz pouco sobre o dia a dia | O escopo pode cobrir só uma parte da empresa |
As três avaliações se complementam: o CASA olha a aplicação, e SOC 2 e ISO olham a operação. Nenhuma substitui as outras, e nenhuma responde sozinha às perguntas específicas de IA.
Que evidência pedir
- O documento, não o selo. Relatório ou carta com data, nível ou tipo, nome do avaliador e resultado.
- O escopo. Qual produto, qual ambiente, qual versão. Confira se é o mesmo serviço que você vai contratar.
- A data. Uma avaliação de três anos atrás descreve outro sistema.
- As exceções. Itens aceitos com ressalva ou risco assumido. Fornecedor sério explica cada um.
- O contrato. Acordo de tratamento de dados, lista de subprocessadores (no caso de IA, os provedores dos modelos estão nela) e região onde os dados ficam.
- As respostas sobre IA. Treino com seus dados, retenção pelo provedor do modelo e isolamento entre clientes, tudo por escrito.
Sinais de alerta
- “Somos aderentes à ISO 27001.” Aderente não é certificado. Peça o certificado.
- Certificado emprestado. “Nossa nuvem é certificada” fala do provedor de nuvem, não do software rodando nela. A AWS ter ISO 27001 não certifica o aplicativo de ninguém.
- Selo sem relatório. Se o fornecedor não mostra o documento nem sob acordo de confidencialidade, trate o selo como enfeite.
- “Sim” para tudo, sem anexo. Questionário sem uma única evidência é autodeclaração.
- Recusa de contrato de dados. Se o fornecedor não assina um acordo de tratamento de dados, a conversa termina aí.
Onde o CollaborAI está
Em 30 de setembro de 2026, o CollaborAI foi aprovado na avaliação CASA, nível AL1, com resultado In Compliance na especificação v2.1.1. A verificação foi feita pela TAC Security, um laboratório autorizado pela App Defense Alliance. O anúncio mostra o resumo do relatório e o que mudou na plataforma durante o processo.
Use com a gente o mesmo critério que recomendamos acima: peça evidência, pergunte o escopo e faça as perguntas de IA. Quem avalia fornecedor dessa forma acaba contratando melhor, seja quem for o escolhido.