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Segurança

Como avaliar a segurança de um fornecedor de IA: o que CASA, SOC 2 e ISO 27001 provam

Selo no rodapé não é evidência. O que cada avaliação realmente verifica, o que fica de fora, quais documentos pedir e os sinais de alerta numa resposta de fornecedor.

Equipe CollaborAI 5 min de leitura
Checklist de avaliação de segurança de fornecedor com os selos CASA, SOC 2 e ISO 27001

O questionário de segurança volta preenchido com “sim” em todas as linhas. Criptografia: sim. Controle de acesso: sim. Testes de segurança: sim. A planilha está impecável, mas não prova nada: quem respondeu foi o próprio fornecedor.

No artigo sobre IA na empresa sem vazar dado, listamos as dez perguntas que valem fazer antes de contratar. Este é o passo seguinte: como conferir as respostas. Isso passa por entender o que cada avaliação de segurança comprova, e principalmente o que ela não comprova.

Três níveis de garantia

Toda afirmação de segurança cai num destes degraus:

NívelQuem afirmaQuanto vale sozinho
AutodeclaraçãoO próprio fornecedor, no questionário ou no sitePouco. É o ponto de partida, não a prova
Evidência revisada por terceiroUm avaliador independente confere as provas enviadas pelo fornecedorBastante, dentro do escopo revisado
Teste ou auditoria diretaO avaliador testa o sistema ou audita a operação por conta própriaO mais forte, dentro do escopo e do período avaliados

A pergunta útil não é “vocês têm certificação?”. É “quem verificou, como verificou e o que ficou dentro do escopo?”.

O que o CASA verifica

O CASA (Cloud Application Security Assessment) é o padrão de segurança de aplicações mantido pela App Defense Alliance. Ele é baseado inteiramente no OWASP ASVS, a referência mais usada do mercado para verificar a segurança de aplicações web. É também a avaliação que o Google exige de aplicativos que pedem acesso a dados restritos de contas Google, como o Gmail.

A especificação atual tem 48 requisitos em 6 domínios:

DomínioRequisitosExemplos do que é verificado
Autenticação8Resistência a força bruta, senhas guardadas de forma segura, senhas temporárias que expiram rápido
Gestão de sessão9Logout que invalida os tokens, troca de senha que derruba outras sessões, nenhum token na URL
Controle de acesso9Menor privilégio, um usuário não alcança o recurso de outro, MFA na área administrativa, OAuth seguro
Comunicações4TLS 1.2 ou superior, certificados confiáveis, nada de criptografia fraca
Validação de dados11Proteção contra injeção, XSS, SSRF e upload de arquivo malicioso
Configuração7Dependências sem vulnerabilidade conhecida, modo de depuração desligado, credenciais fora dos logs

Há dois níveis de avaliação, e a diferença importa:

  • AL1 (autoavaliação verificada). O fornecedor envia evidências para cada requisito: prints, trechos de código, relatórios de varredura, configurações. Um laboratório autorizado revisa essas evidências e só aprova quando elas demonstram o controle.
  • AL2 (avaliação em laboratório). O laboratório testa os casos diretamente contra a aplicação.

Os dois cobrem os mesmos 48 requisitos. O que muda é quem executa o teste.

O que o CASA não prova

Um relatório CASA aprovado diz que a aplicação atende a um padrão técnico. Ele não diz:

  • Como a empresa opera. Gestão de incidentes, controle de quem entra e sai do time, avaliação dos próprios fornecedores e continuidade do negócio ficam fora. Isso é território de SOC 2 e ISO 27001.
  • Como os dados alimentam a IA. Se o conteúdo das conversas treina modelos, por quanto tempo o provedor do modelo guarda as mensagens, por onde os dados passam. Essas perguntas são específicas de IA e precisam ser feitas à parte.
  • Se o fornecedor cumpre a LGPD. Base legal, encarregado de dados e contrato de operador são outra conversa.
  • O que mudou depois. A avaliação vale para a versão avaliada. Daí em diante, o que garante a segurança é o processo do fornecedor.

SOC 2 e ISO 27001, lado a lado

SOC 2ISO/IEC 27001
O que éRelatório de auditor independente sobre os controles da empresa, seguindo critérios do AICPACertificação do sistema de gestão de segurança da informação
FocoSegurança, sempre, e opcionalmente disponibilidade, confidencialidade, integridade de processamento e privacidadeProcesso: riscos identificados, controles escolhidos, melhoria contínua
VariaçõesTipo I avalia o desenho dos controles numa data. Tipo II avalia o funcionamento ao longo de um períodoCiclo de três anos, com auditorias de manutenção anuais
Como pedirO relatório completo, normalmente sob acordo de confidencialidadeO certificado com o escopo e o organismo certificador
PegadinhaTipo I diz pouco sobre o dia a diaO escopo pode cobrir só uma parte da empresa

As três avaliações se complementam: o CASA olha a aplicação, e SOC 2 e ISO olham a operação. Nenhuma substitui as outras, e nenhuma responde sozinha às perguntas específicas de IA.

Que evidência pedir

  1. O documento, não o selo. Relatório ou carta com data, nível ou tipo, nome do avaliador e resultado.
  2. O escopo. Qual produto, qual ambiente, qual versão. Confira se é o mesmo serviço que você vai contratar.
  3. A data. Uma avaliação de três anos atrás descreve outro sistema.
  4. As exceções. Itens aceitos com ressalva ou risco assumido. Fornecedor sério explica cada um.
  5. O contrato. Acordo de tratamento de dados, lista de subprocessadores (no caso de IA, os provedores dos modelos estão nela) e região onde os dados ficam.
  6. As respostas sobre IA. Treino com seus dados, retenção pelo provedor do modelo e isolamento entre clientes, tudo por escrito.

Sinais de alerta

  • “Somos aderentes à ISO 27001.” Aderente não é certificado. Peça o certificado.
  • Certificado emprestado. “Nossa nuvem é certificada” fala do provedor de nuvem, não do software rodando nela. A AWS ter ISO 27001 não certifica o aplicativo de ninguém.
  • Selo sem relatório. Se o fornecedor não mostra o documento nem sob acordo de confidencialidade, trate o selo como enfeite.
  • “Sim” para tudo, sem anexo. Questionário sem uma única evidência é autodeclaração.
  • Recusa de contrato de dados. Se o fornecedor não assina um acordo de tratamento de dados, a conversa termina aí.

Onde o CollaborAI está

Em 30 de setembro de 2026, o CollaborAI foi aprovado na avaliação CASA, nível AL1, com resultado In Compliance na especificação v2.1.1. A verificação foi feita pela TAC Security, um laboratório autorizado pela App Defense Alliance. O anúncio mostra o resumo do relatório e o que mudou na plataforma durante o processo.

Use com a gente o mesmo critério que recomendamos acima: peça evidência, pergunte o escopo e faça as perguntas de IA. Quem avalia fornecedor dessa forma acaba contratando melhor, seja quem for o escolhido.

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